sábado, 26 de fevereiro de 2011

Superpopulação: A Solução


Na postagem anterior discuti como o descontrole reprodutivo da espécie humana afeta, tanto as demais formas de vida da Terra, quanto (e principalmente) a nós mesmos.

Agora gostaria de sugerir possíveis soluções, e começo por lhes apresentar o VHEMT Movimento pela Extinção Humana Voluntária (na sigla do original em inglês). Acesse o link da versão portuguesa clicando na figura abaixo.

"Para que possamos viver muito... e desaparecer"

O VHEMT é, de longe, a solução mais eficaz, barata e definitiva: pare de ter filhos. Apenas isso. Não são necessárias medidas de contenção, ou educação sexual, ou guerras pra matar todo mundo... nada nada nada. Apenas parar de parir. É certo que em 100 anos ainda existiriam seres humanos vagando pelo mundo, mas seguramente seríamos menos de 400 milhões de pessoas, uns 6% do nosso atual numerário.

É claro que as chances da proposta se tornar um sucesso são pífias, praticamente nulas mas, ainda assim, maiores que zero. Seja por um consenso global de que deveríamos parar de ter filhos, ou mesmo um vírus ou qualquer coisa do gênero que inutilizasse o aparato reprodutor humano, suponhamos então que de fato acontecesse. O fundador do movimento, Les Knight, explica de forma bastante convincente o que aconteceria – e só seriam coisas boas:

Para aqueles que arrepiam os cabelos só de ouvir a palavra aborto, uma boa notícia: eles não aconteceriam mais, simplesmente porque nenhuma mulher mais engravidaria. Isto pareceria trágico para aqueles casais que passam anos tentando conceber mas, como alento, todas as crianças remanescentes se tornariam muito mais valiosas, ao invés de mais disponíveis, e nenhuma delas deixaria de ser adotada. Seria o fim dos orfanatos.
Em 21 anos não haveria mais delinquência juvenil e, a esta altura, com a resignação coletiva aumentando, o despertar da espiritualidade substituiria o pânico generalizado, em razão da crescente percepção de que cada vida humana agora seria absurdamente preciosa para se perder por motivos estúpidos. Com cada vez menos bocas a alimentar, a disponibilidade de recursos aumentaria ano após ano, inclusive a oferta de água. Os mares se repovoariam. Sem a necessidade de tantas construções, cidades inteiras iniciariam o processo de capitulação perante a natureza, que recuperaria seu terreno original. Sem a necessidade desesperada por recursos, não desperdiçaríamos mais vidas em combates imbecis por petróleo, por exemplo.

Agora, tente pensar nisto tudo acontecendo sem um controle populacional. Mesmo a China, com suas políticas restritivas fortíssimas, ainda acrescenta 10 milhões de pessoas por ano ao mundo. Guerras, fome e doenças nunca tiraram tantas vidas como agora – por causa exatamente da fartura de vidas a serem ceifadas – mas ainda assim não podem ganhar do nosso crescimento desenfreado.

E não pense você que o VHEMT é um evento isolado, fruto da imaginação de quem não tem idéias melhores. O NoKidding e o TheChildFreeLife são outros bons exemplos. São sites que propõem um novo modo de vida, no qual é perfeitamente possível ser plenamente feliz e realizado na vida sem que filhos sejam necessários para isso. A antiga e já antiquada imposição da sociedade de que toda mulher TEM que ter filhos está, ainda que de forma bastante tímida, caindo por terra. Países como Japão e Rússia já desenvolvem políticas pró-natalidade, para que seus casais tenham filhos o quanto antes. Em  alguns países já inventaram até o Dia do Sexo, “feriado” cuja “função” é manter os casais dentro de casa, para que mantenham mais relações sexuais e, assim, gerem mais crianças.  A preocupação tem fundamento: sem criança para crescer e se tornar um adulto trabalhador e contribuinte da Previdência Social, a mesma fica sem recursos para pagar a aposentadoria da velharada – que por sinal, está vivendo cada vez mais! E consumindo cada vez mais recursos.
Não estou sugerindo aqui que se deixe de amparar a velharada – até porque acredito que um dia ainda farei parte dela – mas criamos e nos enfiamos num esquema vicioso, do qual simplesmente não podemos mais sair. Sem entupir o mundo de gente, nossa sociedade não progride. Mas, entupindo-o... ela simplesmente não sobrevive! Esta é uma questão para a qual eu admito não ter resposta e/ou solução: o que fazer com as aposentadorias? Ninguém gosta de perder direitos e qualquer governante que ouse debater a questão seria escorraçado. Só que a verdade é uma só: o mundo não comporta mais gente. Que os políticos e legisladores pensem numa solução neste sentido.

Esses mesmos políticos contudo, já poderiam ter se esmiuçado sobre questões mais fáceis relativas ao tema. Contudo, ainda enfrentariam oposição ferrenha. Como não sou político, posso arriscar algumas propostas que, acredito, surtiriam efeito a médio, talvez até curto, prazo:

01 - Facilidade de acesso às cirurgias de laqueadura e vasectomia;
02 - Redução de impostos a quem se submeter à essas cirurgias;
03 - Redução da pena de presos(as) que se submeterem às cirurgias;

04 - Esterilização automática de estupradores, drogados e afins;
05 - Facilidade ao direito ao aborto.

Esta última deixaria os religiosos com as pontas dos pentelhos em pé! Especialmente aqui no Brasil, um país inculto e nada laico.


Além de movimentos organizados como o VHEMT e o NoKidding, há também um crescente número de pessoas que, isoladamente, atestam para a infeliz realidade que criamos e na qual nos inserimos. Como exemplo – tanto de uma pessoa assim quanto da dificuldade em se aceitar o fato – posso citar o Dr. Eric Pianka, um renomado cientista que, numa conferência em 2006 na Academia de Ciências do Texas, propôs o extermínio (sim, ele usou esta palavra) de nada menos que 90% da população humana mundial através de uma catástrofe biológica (algo como um vírus ou similar). Extremista? A situação a que estamos levando este planeta é bem mais extrema que isso. O homem comprovadamente não tem capacidade logística de lidar com problemas tão grandes quanto o descontrole populacional e seu consequente desespero por recursos naturais. Detalhe: ele foi ovacionado por uma plateia maravilhada após sua apresentação...
Imagino eu que a coisa que o pobre Dr. Pianka mais deve ouvir é: "comece dando o exemplo, se mate". Eu particularmente concordo que não seria um modo feliz de se resolver o problema da superpopulação – mas ao mesmo tempo concordo que seria bastante eficiente.


Professores Eric Pianka e Frank Fenner


Outro cientista, o professor Frank Fenner, da Universidade Nacional da Austrália, afirma de forma categórica que, se não pararmos de ter filhos AGORA, poderemos ver o crepúsculo da humanidade em 100 anos. Nossa espécie não será capaz de sobreviver à explosão populacional e ao consumo incontrolável.

"Um monte de outros animais vão junto conosco", disse ele a um jornal local. "É uma situação irreversível e acredito que já é tarde demais. Desde que o ser humano entrou um período científico não-oficial conhecido como o Antropoceno – o tempo decorrido desde a industrialização – temos um efeito destruidor sobre o planeta que rivaliza com qualquer era glacial ou impacto cósmico".

Por mais catastrofistas que sejam suas opiniões, um homem responsável pela erradicação da varíola no mundo deve saber pelo menos um pouquinho do que está falando...

E não são casos isolados, os de Pianka e Fenner. A seguir mais algumas opiniões – nenhuma muito otimista – à respeito:

Simon Ross, vice-presidente da Optimum Population Trust: a humanidade está enfrentando desafios reais, incluindo as alterações climáticas, a perda da biodiversidade e crescimento sem precedentes da população.
Nicholas Boyle, professor da Universidade de Cambridge: um limite decisivo acontecerá em 2014 e vai determinar se o século 21 será pobre e violento ou próspero e pacífico.
James Lovelock, autor da Teoria de Gaia: a população mundial se reduzirá para menos de 500 milhões no decorrer do próximo século devido ao aquecimento global, e os sobreviventes terão de viver no ártico, onde a temperatura ainda manterá o lugar habitável.
Stephen Boyden, outro professor australiano: alguns de nós ainda alimentam a esperança de que virá uma consciência sobre a situação e, como resultado, as mudanças revolucionárias necessárias para alcançar a sustentabilidade ecológica.

E para quem achava que o NoKidding e o ChildFreeLife eram sites isolados, aqui vai uma avalanche de propostas similares:


São todos sites em inglês, britânicos ou americanos, o que mostra a irrelevância com que a questão é tratada no Brasil. Quem sabe você não possa ser o pioneiro em criar algo similar por aqui? ;)

Existem também: Organização Britânica de Casais sem Filhos; Associação para Contracepção Cirúrgica Voluntária e Associação de Valorização de Homens Vasectomizados, mas não consegui encontrar seus sites.

Por último, quero lhes deixar para refletir o seguinte: se a humanidade sumisse AGORA da face da Terra, mais de 99,99% de todas as outras espécies sequer perceberiam. Em contrapartida, se as bactérias desaparecessem, a espécie humana se extinguiria totalmente... em horas. E isso excluindo-se as bactérias que formam nosso próprio corpo! Caso elas entrassem na soma, sumiríamos no mesmo instante.

Acesse também estes links. Não quero que vocês leiam este blog e se resumam apenas a ele. LEIAM MAIS PARA SABER MAIS.

6 comentários:

  1. Gustavo, obrigada pelos textos maravilhosos!!! Compartilhamos de muitas idéias e falar de superpopulacao em um país dominado por religioes e onde o sexo e a reproducao é visto como algo sagrado, é muito corajoso. As poucas vezes que tentei fazer isso foi dentro do ambiente acadêmico, onde eu esperava encontrar respaldo, mas fui acusada de incitar o genocídio e chamada de Josef Mengele de saias (e raramente uso saia)!!! É preciso ter desprendimento e ser corajoso para tocar nesse assunto, que apesar de imperativo e óbvio é sumariamente ignorado!!!

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  2. Tenho uma filha de 9 meses. Estamos ainda em dúvida se vamos ter um segundo filho. Após ler este artigo estou seriamente pensando em parar por aí. Aliás, se cada casal tivesse apenas um filho (na verdade cada pessoa deveria ter apenas um filho, se não pode casar de novo, e como é outro casal, ter um outro filho) teríamos uma redução gradual interessante da população, concorda? Seria menos da metade da população a cada geração (considerando que muitos casais já não querem filhos, muitas pessoas sequer se casam). Acho que isso seria uma solução interessante (só não sei se daria tempo de salvar o planeta) pois aqueles que querem poderiam realizar seu desejo de ter filhos.

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  3. Lembrou-me de uma teoria (?) da conspiração iluminati (?): reduzir a população da terra e uma das metas.

    "Manter a humanidade abaixo de 500 milhões de habitantes em um balanço constante com a natureza."
    http://thoth3126.com.br/as-pedras-guias-da-georgia-eua/

    Lembro do trecho de uma carta antiga que diz: "Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão."

    Isso aumenta a minha fé!

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  4. A superpopulação acabara de uma forma ou de outra, infelizmente o ser humano não tem muita conciencia do poder dos métodos preservativos para continuar a provar dos prazeres da vida. Sendo assim, ou para a Reprodução de forma mais rigorosa ou o próprio ser se exilara, pois nossa natureza não suportara ser consumida por completo!

    "A terra ja luta por sua sobrevivência, o ser humano é só uma espécie dentro dela"

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  5. Enxergo a superpopulação o problema mais culminante que a humanidade tem que enfrentar, quera ou não quera. Ou por bem ou por mal, eles podem escolher. Qualquer um que já viajou um pouco neste mundo enxergou a superpopulação em qualquer lugar, poluição sem limites, lixo em todos os lugares. Terras antes produtivas em estado de desertificação, rios e mares mortos e envenenados, etc. etc.
    Pobre humanidade ignorante.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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